Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2016

Elegias Marítimas - Voz & Poesia

Manifesto à juventude

Para onde foram
os anos de minha juventude?
Transportaram-se à marte?
Bomboleiam saturno?
Mergulharam o oceano nebuloso
todo-poderoso-amem?
Escorreram pelas quinas?
Espreitaram trincheiras fundas
bradando: mata-ou-morre.
dobraram-se sobre si mesmos
como origamis kamikazes
ensaiando o vôo e a queda?Quem dirá do tempo
ás tuas longas histórias?
Faixas brancas na areia estelar,
retratos singulares de janelas
suspensas no todo cosmos.
A quem interessa ás pegadas
do moço astronauta desbravador
de distâncias, linhas e rugas?
Do semblante vil
e paradoxal do artista?
Da altura inabalável das montanhas?Para onde escaparam
os dias brandos?
Refletem-se no grisalho
das mães-paraíso-eterno?
Engalfinham-se aos pares?
guerreiam entre si
o tempo e a memória?
Por quais bandeiras?
Brancas? Negras?
E o amor, os afagos?
Operam sobre quais tratados?

Carícias, transgressões & nudez

Observo
fascinado
teus
movimentos
sutis
no entre abrir
das pernas,
exatas
e angulares
como
o restante
do teu corpo
de sonho,
sinuoso
e intrépido
feito
curva
de rio.O zíper
e o volume
marítimo
do mastro
suntuoso
que me
oferece,
transgressor
na semi-escuridão
dos becos
marginais
dessa cidade
distante
e sonolenta,
repousando
insegura
sob cobertores
cristãos
perpetuadores
da moral.Convido
aquele Adônis
incandescente,
super-nova
aos mistrais
do corpo anônimo
contra a crueza
das paredes,
num labirinto
obsceno
de pêlos
e no mergulhar
de olhares
cínicos
e sedentos.Provamos
o gosto
e as súplicas
um do outro,
vertemos
carícias urgentes
enquanto
ganíamos
pelo futuro
dos pares,
famintos
tateamos
a culpa
e o látex
para descobrirmos
suados
e nús
o verdadeiro
sorriso
na boca
do homem.

amor "al dente"

com: Júlio Carvalhoa perfeita alquimia
do meu bem querer
bem te faz
pousar meu coração
à mesa
disposta entre pratos
e copos risíveis
do teu encanto maduro
ler apaixonado nos teus olhos
absorvido no teu respiro
como um canto
esperando
que me devores
extinguindo num gesto
o ontem
e as manchas rubras
na toalha de mesa
e os talheres
dispensados
entre os comes e bebes
a fome um do outro
antes antropofágicos
do que trágicos
consumidos
pelo suor das mãos
e o levantar das facas
tornozelos cruzados
tateando mapas
traços sutis
de sabores
indizíveis
o amor
provém
de indiscutíveis
paladares

Erotismo & Espuma

No caminhar
vacilante
e apressado
através
do cais
e das gentes
banhadas
pela febre
ardente
dos ventos
atlânticos
e da irreverência
lúgubre
do sorriso lunar
à meia-noite.No entre por
dos passos
emaranhados
de marinheiros
tropicais
iluminados
pela densidade
das coisas
terrenas
e bêbados
naufragados
num cruzar
de espadas
infinito.Transvirados
e estranhos
mediam-se
pelo peso
do prato
rachado
o lamento
úmido
por aquelas
outras naus
perdidas
no entardecer
das coisas.Clamavam
solenes
pelo dedilhar
de remos
eretos,
protestando
e uivando
ansiosos
pelo correr
momentâneo
das águas
salgadas
inundando
as frestas
ocas
do mundo.Hastearam
tuas bandeiras
trêmulas
à costas
lisas
e frágeis
pelo pavor
das ondas
ancoradas
pelo sal
e pela prece
à afrodite-do-mar,
suplicando
em reverência
ímpar
que o anjo
branco
e marinho
não se
desfaça
na espuma.

Chamamento, louvor & Poesia

Estou aquecido
entre
ás paredes
brancas
e implacáveis
do meu apartamento
de segundas
à domingos-infinitos
oferecendo
carícias
e poses
e chás
e tantas
outras doses
à minha solidão.Estou envelhecido,
branco
e estático
em meio
aos móveis,
passeio
desatento
ás distâncias
entre
o chuveiro
e o gotejar
incessante
das pias de cozinha.Estou esquecido
das praias
e campos
e montes,
esperando
de longe
que se cumpra
a profecia.
O romper
final
das cinzas
num lance
de tintas
e quimeras
ruidosas
sob minha janela.Ouço ao longe
uma intensa
melodia,
um sopro
de blues
sobrepondo
os carros velozes
nas noites
mornas
de quinta
à intermináveis
avenidas,
lisas,
enfeitadas
por luzes,
álcool
e (in)cansáveis magias.Ao longe,
ouço/sinto
o chamado,
orvalho
divino
entre
meus lábios,
entrego-me
solidário
ás cores
(e dores)
soltas
(loucas)
e imensas
do outroE assim,
a poesia
entrou
em
minha vida.