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aquilo que goteja

está pingando alguma coisa lá fora que me lembra você, que me lembra todas aquelas historias que você gostava de cantar baixinho quando achava que eu não estava escutando e eu estava, com certo desespero da sua voz confesso e braços abertos estendidos como uma toalha de retalhos, você produzia uma melodia tímida sobre o vazio das pessoas, um certo molhar-se que era bom, que humanizava as coisas de pedra, puff, de repente um poema de pestanas fechadas ou um risco morno que pinga, que goteja aquela sensação que gruda na pele até o osso, um óleo grosso que envolve a flor e o plástico e até o metal das moedas, alguma coisa lá fora pinga, pinga, pingae me lembra você.

U T O P I A

um soluço, um depósito
uma doação ilimitada
de carga, de drama
de momentos eternos
pintados em simetria
pelas paralelas ruas
ambares do começo
de noite, dos elevados
monumentos históricos:
uma lombada no tempo,
um salto sem destino
aparente. um lar dourado
e frugal, onde todos os homens
são santos e todos os dias
são luminosos.

sereia do espaço

lança-me do barco se quiser,
pedra na água, uma jóia submersa,
sereia ensandecida em paetê
e madrepérola, dignissima
bruxa do mar interceptadora
dos desavisados, santa santa
dos mistérios aquáticos,
guardiã dos portos, raio do veio
de prata. segura minha mão,
minhas escamas de peixe,
vai ficando, escora tua mágoa
no canto da sala, prova do odor
familiar de especiaria antigas
da tua pátria, tempero de lânguidos
olhos, cova rasa na terra, uma brecha
no fim, ventania cinza que se arma
no norte, anúncio e trovoada, castigo
na noite, naufrágio, afogamento e vastidão
e eu mesmo já estou perdido.

notas ao tempo

te escrevo
enormes juras
grandes
contratos selados
pelas paredes
do muro
do teto
da cabana
que nos abrigamos
ontem, quando havia
risco no céu
e ele transbordava
e todas as ilhas
se enchiam
e todos os bichos humanos
eram alagados
e expostos,
todo o ar
era passageiro,
só você permanecia ainda
à estender os braços,
pedir clemência,
como se sozinho e nu
pudesse salvar
todo o pranto
do mundo. e salvou.

diálogos de peixe

saudades.também, estás pelo rio?pelo rio, navegando
em ilusão.lindo.beleza
é nosso encontro
de corpo
de vida.sim, mas a ilusão
existe.existe,
é mar bravo,
já deixou de ser rio
suspeito.para o mar
se foi o rio
novamente.e lá vai José
nas corredeiras
marinheiro de rio,
canoeiro
de saudade.

saudade

sentimento de mágoa cinza
nostalgia temperada
pela distância
causada
e reafirmada
pela ausência,
desaparecimento
distância
ou privação de pessoas,
momentos,
épocas,
lugares
ou coisas
a que se esteve afetiva
e ditosamente ligado
dia-a-dia
lado-a-lado
algo que se desejaria
voltar a ter presente
em papel brilhante
laço e fita.

coisas de trem

a vida é aquela coisa muito
parecida com um trem de carga
que as vezes descarilha,
perde o rumo, segue sem rota
um mapa invisivel para além-mar
ou simplesmente trava
como quase todas
as coisas do homem
segue sem curso,
atropela rotas e planos
e segue sempre em frente
até doer ás vistas
até a próxima santíssima
parada que se anuncia
nos vitrais azuis
da janela e no ruído oco
do mundo que já vem vindo,
a vida, apressada e nem mais
tão longe assim da ponte
acena suas longas histórias,
acende cigarros e chora
derrama óleo sob os trilhos,
do muro avisto tuas curvas
de um metal brilhante e nobre
quase colho teus múltiplos
odores, fumaça branca nova
à espiralar pelas esquinas
de outra vida estrangeira
desta pátria.

intenso

cuja manifestação acontece
com muita força,
intensidade
ou vigor;
em que se há abundância
temporal e sofrimento intenso
que transcende
o considerado habitual
além do grau normal
excessivo: tarefa intensa.
fonética. desenvolvido
ou formado por ondas
sonoras de intensa
amplitude;
diz-se muito
do som forte.

tratados de noite

cumprimos a promessa displicentemente,
não houve guerra nem incêndio
nem juras eternas nem doces enganos
perdidos no calor do momento.
não haveria mesmo de se ter
qualquer arma branca
ou negra ou suja
com o sangue derramado
de outras feridas. feridas de flor.
feridas compostas de outras vidas,
de outros pequenos momento
na conjuntura do mundo.
não haveria mesmo de se
ter resgate, condição ou pedido
no caminho do jogo
não haveria mesmo de se ter
anúncio, alerta, passagem
transporte pelo vão
da semi-escuridão inconsciente
das noites mal-dormidas,
das coisas diárias
perseguidores (in)determinados
da saliva do outro, da cura pro fosso,
do topo, do corpo métrico ofertado
mediado e pago pela nudez
santificada do moço,
pelo pão sacro exposto,
pelos homens largados suados e nus
e um tanto quanto crús
à contabilizar causos e pérolas
ou lamber velhas feridas,
memorizar os minúsculos detalhes
um do outro, cada curva, cada tropeço,
cada pelo grosso despontando
em tuas coxas divinas: um presente…

aquilo que era sol

eu lembro dos dias de luz
de quando as tardes se estendiam
pelas paredes oferecendo quadro aos cômodos, insinuando gestos corriqueiros
inadvertidos do encontro de calor
de corpos incendiados pelo pavor
das mãos à mistura-se em nó
sobre lençois turquesa,
tapeçaria estrangeira da sua mãe.
uma garrafa e meia de um qualquer
cabernet Sauvignon, horas e horas
medidas por manhãs incorporadas
em segredo ou café ou outra coisa
meio-doce, eu me lembro dos
dias de luz e do verão tocando o mar
eu me lembro do sol nas praias
que estivemos, dos infinitos acenos
retratados em nossa janela de fitas
eu me lembro do toque e da luz
mas agora é noite amor
e agora?

Lamentos para os dias de verão

vejo o sol que se coloca
à frente da tua cara
pontilhando minúsculas
estrelas prateadas
em teu rosto
em teus cabelos de noite
uma sombra cumprida
que se estende
em abraço de serpente
ferro frio na garganta
e desencontro
eu tenho medovejo as plantas que se movem
de joelhos ao teu desejo,
súdito e irmão da primavera
o seu corpo: tronco sólido
sinaleiro dos navegantes
aventureiros de outras terras
e do teu fruto quase maduro
à florescer pelos deserto
e eu tenho medovejo o mar que corre
ao teu encontro, palácios
de maravilhas às tuas praias,
um príncipe santíssimo
nascido da espuma
e banhado pelo sol de junho
à iluminar a tua cara,
vento e areia interminável,
as plantas todas dispostas em cor
a coroar teu cabelo de anjo,
um sonho travestido
em luz e verão
e eu ainda tenho medo.

Considerações ao Ipê

tudo flui
tudo passa
tudo acaba
nas horas
que ele amanhece
em flor
em luz natural
de pé, altivo
estendendo
os braços
sobre os pequenos
homens
de concreto
apressados
em suas
infinitas
caras públicas,
ele, imóvel
e resplandecente
impondo
sua espera
e sua semelhança
às cercas
aos muros
as estradas
povoadas
da sua classe-verde
e silenciosa,
fiandeiras
do tempo
em cor,
guardiãs antiquissimas
dos mistérios
da terra
e dos bichos,
conselheiras
e avós
da magia calada
que são
as fragilidades
intrínsecas
do homem,
pedra
ou flor.

o amor das coisas

te procuro com sede,
insone e descalço
pelas imensas madrugadas
de luzes escancaradas
que flutuam
na direção do tiro
do hiato ocasional
às beiradas do tempo
e da conjuntura astrológica
dos afetos mal-cozidos
fogo brando
aquece a angústia
no peito latino
inadvertido do perigo
da solidão
num sopro, num grito
dissonante
pontilhado pela aridez
branca e gelida
dos aparelhos domésticos
inanimados
o uivo que dissolve
em espanto as camadas
e camadas
de noites que virão
de te buscar e te perder
no gesto insinuoso
das curvas da minha geladeira

Projétil Vermelho

Qual o bom em mim que te entrego, que me despeço, sem nem ao menos suscitar a viagem, a subida, os quilômetros de pele que nos separa, o obscuro caminho ante o deserto e a ponte, monumento aditivo daquelas águas largas que nascem do pranto, do canto cinza das aves-marinhas em manhãs opacas, do lamento puro das vozes às fissuras do crânio. Do fogo, eletricidade máxima e tensão. Inexplicável alegria nos nervos que te sustentam, ali de pé sob a chuva, um projétil balístico, eternos casos lançados pelo tempo.Tempestades inteiras suportadas pelo arrastar da roda ociosa dos dias. Um campo de batalha no fronte. Deus vermelho das chamas e do ardor sem-fim. Flecha certeira na noite, alvo e mira.

Outras Coisas e o Vento

Sente, sente o vento, ta sentido?
Uma brisa leve, rodopiando, desmanchando os caracóis dos teus cabelos castanhos, ou eram negros, ou eram simplesmente libertos pro mundo e pro diabo? O diabo, nosso famigerado amigo, íntimo em quase todas as noites de quinta. O vizinho que Deus nos apresentou. Em algum lugar azul. Sente, sente o vento, ta sentindo? Um clamor pelas coisas da tua terra, um tratado pelas maravilhas do espírito, um aceno sonâmbulo ás cinco da matina enquanto ninguém está vendo. Sente, sente o vento, ta sentindo? Um barulho perdido no hiperespaço do cosmos ao ventre de uma estrela-anã em ascensão, o caminho pontilhado dos astros, rei metafísico esculpido em dilemas de prata e luz, Órion perdido de amor, três vezes três em abençoado remorso, canção e reverência interminável.No vento, um carinho meu
você pode sentir?

O Sambista e o Vento

O sambista, sensível às transparências do mundo, caminha absorto, melodia projetada nos lábios. Foram muitas e muitas horas aos tropeços pela madrugada e há tantas que já não mais se sabe do sambista, muito menos do seu próprio samba. Aquela coisa quente que ilumina o corpo e a garganta e aquece e aproxima letra e lábio. O samba, dizem, tem parentesco com o vento e carrega no sopro pequenas alegrias. Pode-se medir um homem inteiro pelo seu samba - afirmam alguns...
O vento curioso da melodia do homem fica encantado pela semelhança da dança das bocas, mas tímido como é, se apresenta humilde como brisa leve como um carinho inesperado às barbas do sambista.
E sussurra baixinho:
- toc-toc sambista!O sambista, agora desperto para as excentricidades do mundo, quase nada ou muito pouco surpreso, responde:- Quem é?
- O vento! Vim soprar para você!E como todo homem sensível o sambista se dispõe novamente a cantarolar atirando sua música ao vento, que encantado pela melodia apressada do sambist…

Crônicas ao Pássaro

E foi mesmo só, entre as tardes, que me pus à perceber-te. Foi mesmo lindo o espiralar das águas, o sol sobre duas pequenas xícaras, o aroma de ervas e feitiços na fumaça branco-pérola que te acompanha, a magia tem dessas miudezas enormes. Foi mesmo intenso a trilha que trilhamos entre o quarto o banheiro e o parque, o verde que cruzamos enquanto contávamos nossos causos, e eram tantos causos, suspensos, pendurados ao tempo de outras vidas, éramos tão limpos ali, diante da sobrenatural infusão que produzimos pelo toque, no beijo, no semi-circulo das coisas do universo. Foi mesmo arranjo do universo aquelas trinta e tantas horas de amor, e repare que digo amor como se pronunciasse pássaro, em respeito, ânsia e liberdade.

A fera humana especular

Todos os dias, durante tempos
o homem simples exclama:
matei hoje mais um leão!
Interrogo, será que o homem
percebe seu próprio rugido, será
que enxerga no olho do leão sua pátria?
Se sim, que pátria nesse caminhar calado? Será as coisas dos homens intrínsecas as coisas dos bichos? Serão bichos, animais políticos? Será politica toda fera humana?
E o leão, o que será que sente?

Ensaio para noites chuvosas

De repente, sob a chuva, pesa-me o ombro com o peso do chumbo, dolorido e rígido pela queda e o mau tempo. De repente, milímetro a milímetro, me chega e me invades e me impregna da ânsia pálida dos miseráveis, ainda mais miseráveis agora, o tremor combalido das pequenas criaturas, o amargor, que de certo sobreveio a boca pura dos outros animais humanos, vadios, mas alimentados pela queda, a cidade ergue-se sobre si mesma e o corpo abandonado e exposto dos infelizes, dos mortos, das mães em luto, das putas, dos pobres nunca vistos, largados aos pares pelas esquinas negras no fim da madrugada, a chuva chega e passa, eu também, eles não.

Homens Transponiveis

Disseram-me: sejas homem, ou teus nervos metálicos, como as cordas do violão que preguiçosamente tocas sustentando em dor maior a fome e a presença dos olhos curiosos de outras feras, bicho humano impugnavel, estás cordas, como as outras cordas em meus pulsos desprendem-se retorcidas no contato do tempo e o chão batido da casa do avô. Seja homem, eles disseram, seguros do tempo do homem e do negror das barbas, escondidos sob o escombro do pavor mesquinho das armas e o apertar de mãos sujas simulando o jogo perigoso de se ser só e não o outro, faca presa à garganta, caça e noite se extinguem, eu silêncio, mas não calo: o que é ser homem?

Classificação ( quase) morfossintática

Desejo é um verbo, é presente divino, indicativo do olho de Deus à primeira pessoa, singular em forma, luz e métrica, compõe a tecitura das cores no tear do tempo, navega ocioso entre o mar branco e as rochas, costura cruzes e pontes: o desejo.

Elegia aos Pombos

Passei com temor por aquela
nossa antiga esquina
no pequeno bairro triste
das pequenas flores,
não havia pombos no parque
ou grão suficiente que os sustentassem.Imagino, enquanto faço a volta
aqueles bancos cinza,
impondo-se ao verde rasteiro
e as aves, uma escultura pensa
das infinitas tardes ao sol de outra vida.Apressados como quase sempre,
como quase todos os outros.
Corremos, alucinados pelo encontro do destino, porém, não gastamos tempo que fosse o bastante para lamentar as minúsculas falhas e eram tantas, que somando-as em rio
tornaram-se um mar e meio de distâncias.O que fizemos de errado?
Eu não saberia ao certo quando, como,
ou estenderia os porquês da despedida,
mas envelheço só e continuamente
todos os dias, no caminho
entre a esquina e o parque,
sustentando pombos
ausentes do nosso amor.

Ensaio contra o Sol

Quem é que olha
pelos meus olhos?Quem é que mastiga
com minha mandíbula aberta
para quem quiser sentir,
o podre e o ocre
das línguas afiadas
umidificando o caminho,
o grito mudo, também preso
da fera humana especular?O (des) gosto do sal
temperado por ausências,
terrores póstumos
e de uma palidez brutal,
manchada somente,
pelo vinho ácido dos
dias iguais do cativeiro,
das horas amargas e vulgares
sob uma meia-luz qualquer
marginal.Enlutando o crânio,
o pranto, passeando
às avessas da luz,
a ceifa adorada segue,
todo dia, em todo canto,
devorando do animal
as vísceras esplêndidas
estendidas contra o sol.Ensaio contra o Sol - Vini Miranda

Marginais Imaculados

O opressor
funga no cangote,
enquanto
enviadescemos
mais a cada dia,
como um gesto
ao retrocesso,
gozamos etéreos,
pelas esquinas.Reencontramos
no brilho das
(trans) marginaisrecortadas do mundo,
o símbolo perdido da luta,
enquanto cidades
cinza-chumbo
erguidas, pelo labor
negro das mãos
choram e chovem
o sabor metálico
e indigesto
do meu povo.

Invocação à Dionísio

Dionísio,
tantas vezes
te chamo,
tantas vezes
não há luar
e o sal
cobre a terra,
tantas vezes
sem precisão
ou amor
ou lascívia
a noite
se infiltra
pegajosa
pelas persianas
vinho-tinto
da sala de estar,
esquadrinhando
os cantos
e frestas
e dobradiças
com tuas
apressadas mãos
sob a mobilia:
meu corpo
de barro,
entregue
ás tuas
carícias.Dionísio,
tantas vezes
te chamo
por clamor
ou reverência
ou algo
igualmente
profundo,
tantas vezes
me sonho
gemendo
e ganindo
na luz
sobrenatural
dos teus ritos,
tantas vezes
tantas
e muitas mais
guardarei
por ti.Invocação à Dionísio - Vini Miranda.

Apologia às Bombas

Saque
as armas
brancas,
as flores,
as pequenas
contas,
as conchas,
as pérolas
de amor.Marche
o samba
de vida
na avenida
extendida
de corpos
também
multicoloridos
coraçõesBombardeie
bombas
postas
no centro
no plexo
na ocupação
do sistema
solar
interiorResista
até mesmo
aos silêncios
consentidos,
ao estreitamento
das pontes
das cordas
das amarras
embutidas
no teu sexo
no teu senso
variante
contraste
circunflexo
de jovem
humilde
superior.

pretérito imperfeito:

eu (um dia) amei
.
tu (quase) amaste
.
ele (afirma) amou
.
nós (violentamente) amamos
.
vós (também) amastes
.
eles (certamente) amaram
.
o amor.

Ultrapassará.

Imagem

Girassóis de Vênus.

Imagem

Crônicas Amorosas

Eu, sozinho
que despenquei
aflito
do alto
do arranha-céu
dos teus
desejos
suspeitos,
queixosos
de inegáveis
crimes
vermelhos
e desamor.Eu, que mendiguei
a terra
o pasto
o arado
brutal
dos teus
pequenos
anseios,
que me ofereci
calado
e nu
pelos desertos.Eu, que supliquei
aos berros
por carícia
passageira,
pelo pão santo
do teu sexo
embevecido
de si mesmo,
gota-a-gota,
sem saliva,
sem ardor,
sem teu pau
um dia
amoroso.

(uni) inverso das coisas

Chá cósmico
e sideral,
nebuloso,
partilhado
e pontilhado
de singularidades
outras,
velozes,
intrepidas
transitam
Íntimas
e indiscretas
na luz
urgente
dos pedaços
expostos,
no arco
dos espaços
opacos
dos detalhes
pequenos,
nos atos
sórdidos,
no porta retrato
decorado
e esquecido
sob a mesa
do canto cinza
da sala,
passageiro
entre
cômodos
e copos
e corpos celestes
estendidos
no chão,
no tapete
ante
o sol,
no parapeito
da janela,
nas curvas
expostas
do braços
soltos,
pendendo
vacilante
pela sorte
dos afagos
morenos
e as voltas
inteiras
do mundo.

astrologias aparentes

Intransponíveis
diabos
armados
& santos
pecadores
da divina luz
do anjo sci-fi
no armagedom
tecnológico
da inexatidão
do ano
da zebra
psicodélica.um anuário
enraizado
num zoológico
intransponível
astrologicamente
con
sidera
velCom: Júlio Carvalho